3 ESTRATÉGIAS POUCO CONHECIDAS UTILIZADAS POR INVESTIDORES

Introdução

Quando escrevi a primeira parte desta matéria, falei sobre um arrependimento pessoal.

O arrependimento de não ter conhecido, há 17 anos, quando iniciei minha carreira no Ministério Público, algumas das estratégias de construção patrimonial que conheço hoje.

Naquela época, como muitos profissionais de alta renda, acreditava que o caminho natural para acumular patrimônio era simples: trabalhar mais acumulando comarcas, ganhar mais por isso e investir parte da renda.

Com o passar dos anos, percebi que existe uma diferença importante entre ganhar dinheiro e construir patrimônio.

E é justamente nesse ponto que o consórcio costuma ser mal compreendido.

Muitas pessoas enxergam o consórcio apenas como uma forma de comprar um imóvel ou um veículo.

Na prática, profissionais experientes frequentemente utilizam o consórcio como uma ferramenta financeira inserida dentro de uma estratégia patrimonial mais ampla.

Naturalmente, não existe fórmula mágica.

Cada situação exige análise individual, planejamento e compatibilidade com o perfil financeiro do participante.

Mas existem estratégias que merecem atenção.

 

O consórcio como instrumento de construção patrimonial

Antes de analisar as estratégias, é importante compreender um ponto fundamental.

O consórcio não é um investimento financeiro tradicional.

Ele não possui rentabilidade garantida nem deve ser comparado diretamente a aplicações financeiras.

Sua principal função é possibilitar acesso planejado à aquisição de ativos.

Por isso, o verdadeiro potencial patrimonial normalmente está no ativo adquirido através da carta de crédito.

Não na carta em si.

Vamos analisar as três estratégias que indico:

1. Utilização da carta de crédito para aquisição de imóveis destinados à locação de temporada

O crescimento das plataformas digitais de hospedagem transformou significativamente o mercado imobiliário brasileiro.

Imóveis passaram a ser vistos não apenas como patrimônio, mas também como potenciais geradores de receita.

Nessa estratégia, o participante utiliza a carta de crédito para adquirir um imóvel que posteriormente poderá ser explorado através de locações de curta duração.

Onde está o potencial econômico?

O retorno não está no consórcio.

O retorno potencial está no imóvel adquirido.

Dependendo da localização, da ocupação, da gestão do imóvel e das condições do mercado, o ativo pode gerar receitas recorrentes ao proprietário.

O consórcio funciona como instrumento de acesso ao patrimônio.

O imóvel passa a ser o ativo gerador de renda passiva.

2. Aquisição estratégica de múltiplas cartas de crédito

Outra estratégia bastante conhecida consiste na contratação planejada de várias cartas de menor valor em vez de uma única carta de grande porte.

A lógica é aumentar a flexibilidade patrimonial ao longo do tempo.

Por que alguns investidores utilizam essa estratégia?

Cartas menores permitem maior capacidade de adaptação às oportunidades que surgem durante o período de formação patrimonial.

Em determinadas situações, observadas as regras contratuais e regulatórias aplicáveis, uma carta contemplada pode ser objeto de cessão de direitos para terceiros interessados.

Esse ponto exige atenção especial.

Cada administradora possui regras próprias e toda cessão deve respeitar integralmente os contratos e a regulamentação vigente.

Por isso, trata-se de uma estratégia que exige conhecimento técnico e planejamento adequado.

Ainda assim, muitos investidores consideram essa abordagem uma forma de ampliar liquidez e flexibilidade patrimonial.

3. O consórcio como mecanismo de formação disciplinada de patrimônio

Talvez esta seja a estratégia menos comentada e, ao mesmo tempo, uma das mais interessantes sob o aspecto comportamental.

A maioria das pessoas sabe que deveria poupar regularmente.

O desafio costuma ser manter essa disciplina durante muitos anos.

A realidade é que acumular patrimônio exige constância.

E constância nem sempre é fácil.

O fator psicológico da construção patrimonial

Muitas pessoas possuem capacidade financeira para investir, mas encontram dificuldade para preservar recursos ao longo do tempo.

Novas despesas surgem.

Prioridades mudam.

O dinheiro destinado à formação patrimonial acaba sendo utilizado para outras finalidades.

Por isso, alguns participantes utilizam o consórcio como um mecanismo de compromisso financeiro de longo prazo.

Funciona como uma forma estruturada de direcionar recursos para a futura aquisição de um ativo.

Sob a ótica estritamente financeira, podem existir alternativas mais eficientes em determinados cenários.

Mas, sob a ótica comportamental, muitos investidores consideram essa metodologia extremamente eficaz.

Afinal, o maior desafio nem sempre é investir.

Frequentemente, o maior desafio é acumular capital de forma consistente.

 

O que o consumidor deve analisar antes de aderir a um consórcio

Antes de contratar qualquer consórcio, alguns cuidados são fundamentais:

Verifique se a administradora é autorizada pelo Banco Central

A administração de grupos de consórcio depende de autorização e fiscalização do Banco Central.

Analise o custo total da operação

Taxa de administração, fundo de reserva e demais encargos devem ser avaliados com atenção.

Compreenda as regras de contemplação

É essencial entender como funcionam os sorteios e os lances.

Avalie seu planejamento financeiro

O consórcio exige compromisso de longo prazo.

Por isso, a parcela deve ser compatível com o orçamento familiar ou empresarial.

 

A experiência prática mostra uma realidade importante

Ao longo de mais de três décadas de atuação jurídica e financeira, acompanhando relações de consumo e operações ligadas ao sistema financeiro, observei que muitos consumidores concentram seus esforços exclusivamente no aumento da renda.

Poucos dedicam a mesma atenção à construção estratégica do patrimônio.

E essa diferença costuma produzir resultados relevantes ao longo dos anos.

 

A grande lição

Quando comecei minha trajetória profissional, acreditava que patrimônio era consequência direta do aumento da renda.

Hoje penso de forma diferente.

A renda continua sendo importante.

Mas patrimônio normalmente é consequência da combinação entre estratégia, disciplina e utilização inteligente das ferramentas disponíveis.

É justamente por isso que temas relacionados à alavancagem patrimonial despertam interesse crescente entre médicos, advogados, dentistas, empresários e servidores públicos de alta renda.

Não porque exista fórmula mágica.

Mas porque existem métodos capazes de transformar renda em patrimônio de forma mais eficiente ao longo do tempo.

Talvez essa seja a principal reflexão desta matéria.

Ganhar dinheiro é importante.

Mas aprender a estruturar patrimônio pode ser ainda mais importante.

 

 

*FONTE: ROBERTO NOGUEIRA

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